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Não exatamente. Mas se vocês acham que essas lutas do UFC são sangrentas, pensa na seguinte situação: de um lado está o Anderson Silva com uma espada e do outro o Vítor Belfort com um tridente, prestes a se espetarem. Outra cena: o lutador Minotauro está aguardando o seu adversário no ringue e, de repente, surge um leão. Ai meu Jesus!


Pois é desse jeitinho que eram os combates entre os gladiadores. Cruéis e sanguinários. Essa lutas foram comuns em Roma entre os séculos 3 a.C. e 4 d.C.


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Só que esses caras não se batiam por dinheiro ou fama. Eles lutavam pela vida e pela liberdade. Não sei se você sabe, mas eles eram escravos. Quando o exército de Roma saía em campanha para conquistar novos territórios sempre voltava com prisioneiros de guerra. Os mais sarados eram escolhidos para ir pra briga. Mas também haviam criminosos e endividados. Já imaginou? O carinha tava negativado no SPC da antiguidade e é acordado pela PM romana esmurrando a porta. Punição: lutar até a morte!


Dizem que esses desgraçados não levavam uma vida fácil pois tinham que treinar pra caramba, geralmente contra a sua vontade. Mesmo assim, em comparação com os escravos comuns, não podiam reclamar: normalmente não eram acorrentados nem chicoteados. E iam pro pau somente umas 3 vezes por ano… se sobrevivessem.


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Existiam vários locais onde esses brutamontes se enfrentavam, mas o Maracanã das arenas era o Coliseu. Era lá que os melhores se apresentavam. O povão delirava. E a elite também. Tanto que dois imperadores, Calígula e Comodus, até lutaram contra gladiadores. Você ganha um doce se adivinhar quem venceu.


A luta padrão era o mano a mano – um contra um. Mas existiam os guerreiros especializados em encarar animais como tigres, ursos, rinocerontes… Os romanos curtiam porque tinham a chance de conhecer animais raros. Pô, queriam ver bicho diferente que fossem no zoológico. Ou metessem um documentário no YouTube. Né?


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Mas esses brigões não saiam na porrada desarmados. Usavam espadas, lanças, adagas, escudos e armaduras. E de todos os tipos e formatos. Existia até uma arma bizarra chamada “Tesoura”, que dilacerava as entranhas dos oponentes. Ave Maria!


E não bastava vencer. O lutador tinha que conquistar o público sendo carismático. A galera que assistia ao “espetáculo” podia salvar ou condenar um gladiador com apenas um sinal das mãos. Quem recebia um “like” tinha mais uma chance – ia se recuperar pra próxima luta. Agora se o polegar estivesse pra baixo… bye bye. Golpe de misericórdia!


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Existem relatos que, quando se davam bem nas grandes arenas, como o Coliseu, poderiam ficar ricos, famosos e eram procurados pelas mulheres, as chamadas Marias-Arenas.

Mas teve um escravo/gladiador que se revoltou contra essa insanidade. Ele conseguiu fugir e reunir um exército de mais ou menos 80 mil soldados. Deu uma dor de cabeça dos diabos pro governo: até ser preso e morto, ele e seus seguidores botaram pra correr diversas legiões romanas durante 3 anos (73 a 71 a.C.). O nome do peitudo era Espártaco.


Eu tenho certeza que você já ouviu a expressão “pão e circo”. O governo oferecia aos romanos mais pobres pão e outros alimentos básicos, e promovia a diversão nas arenas para a ralé – entrada na faixa (de grátis*). O povão, de barriga cheia e entretido com a pancadaria, ficava muito mais fácil de ser manipulado. Mas isso foi no passado, hoje é diferente…


* Como não sabia se todos conheciam a expressão “na faixa”, preferi deixar claro: “de grátis” todo mundo conhece, né? Mas está ERRADO! Ou você diz de graça ou grátis. Não esquece, tá?


Autor: Ronaldo Capra