Foto: ReproduçãoEm meio ao aumento da inflação de alimentos, combustíveis e energia, o Banco Central apertou ainda mais o cinto na política monetária. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou, nesta quarta-feira (4), a taxa Selic - os juros básicos da economia - de 4,25% para 5,25% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado financeiro.
Este foi o quarto reajuste consecutivo na Selic, mas o ritmo do ajuste aumentou. Nas últimas três reuniões, o Copom tinha elevado a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. Como testou positivo para a Covid-19 na semana passada, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra Fernandes, não participou da reunião presencial.
Em comunicado, o Copom informou que, na próxima reunião, nos dias 21 e 22 de setembro, também pretende elevar a Selic em 1 ponto percentual. O órgão pediu a continuidade das reformas econômicas estruturais e advertiu para o risco da aprovação de medidas que elevem os gastos públicos permanentemente.
"O Copom reitera que perseverar no processo de reformas e ajustes necessários à economia brasileira é essencial para permitir a recuperação sustentável da economia. O comitê ressalta, ainda, que questionamentos sobre a continuidade das reformas e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia", destacou o texto.
Com a decisão desta quarta, a Selic continua num ciclo de alta, depois de passar seis anos sem ser elevada. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa permaneceu em 14,25% ao ano. Depois disso, o Copom voltou a reduzir os juros básicos da economia até que a taxa chegasse a 6,5% ao ano em março de 2018.
Em julho de 2019, a Selic voltou a ser reduzida até alcançar 2% ao ano em agosto de 2020, influenciada pela contração econômica gerada pela pandemia de Covid-19. Este era o menor nível da série histórica iniciada em 1986.
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em junho, o indicador fechou no maior nível para o mês desde 2018 e acumula 8,35% em 12 meses, pressionado pelo dólar e pela alta da energia elétrica.
O valor está acima do teto da meta de inflação para 2021, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O IPCA, portanto, não podia superar 5,25% neste ano nem ficar abaixo de 2,25%.//MuitaInformação





